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26 jun

Porque a moda é importante

De volta às raízes, onde tudo começou, atualizado: Kaftan MYK Atelier desenhado por mim

Na foto: kaftan MYK Atelier, da minha marca, a MYK. <3

 

Você já parou pra pensar porque você faz o que faz?

O que te motiva?

Porque o que você faz pode ser importante pra outras pessoas também, ou melhor, como o que você faz, faz sentido pra outras pessoas também?

Já faz muito tempo que não escrevo aqui no blog e o motivo é porque ando bem pensativa (e ativa) sobre este assunto, trabalhando bastante pra tornar um dos meus motivos de viver, mais vivos ainda. Aí, de tanto pensar achei que já era hora de escrever, até pra poder colocar mais as ideias pra fora, embaralhá-las e acertá-las novamente…

Tudo isso que ando pensando tem a ver com o meu PROPÓSITO. Essa palavra que se torna mais e mais corriqueira até por conta do livro com mesmo título (que ainda não li, mas vou ler) e também tem a ver com o que falo sempre: o que justifica sua ocupação de lugar no mundo?! hehe.

Nem sempre a gente precisa fazer a coisa mais importante do mundo (as que os outros normalmente julgam importantes). Não precisamos inventar a roda ou o avião. Não precisamos ser presidentes de um país… mas sim, podemos pensar que agindo localmente, fazendo algo relevante a uma pessoa, depois a outra, depois a outra, vamos criando nossa rede de relevância e vamos descobrindo como e porque fazemos o que fazemos.

Falo isso porque demorei muito tempo pra chegar aqui e escrever isso com essa sinceridade e tranquilidade. Se eu falar pra você que meu sonho NÃO era trabalhar na Vogue ou que eu NEM queria estar na primeira fila do desfile da Prada, vou mentir. Mas… esses são sonhos que vão mudando ou que a gente vai adaptando conforme vamos agindo e tomando consciência das consequências das nossas ações.

Escolhi estudar moda (o motivo, nem eu sei, porque NINGUÉM ao meu redor pensava isso. Nem minha família, nem minhas amigas… meu pai se apavorou e quis que eu fosse fazer qualquer outra coisa menos isso, mas eu bati o pé e fui). Só sei que ao escolher, já estava sendo EU MESMA, da mesma forma com que sempre escolhi minhas roupas.

Aí, quando estava no segundo ano de faculdade, fui fazer um estágio de férias que deveria durar 30 dias, mas (brinco que) durou 9 anos. Essa foi minha escola: a Malwee, um dos maiores players da indústria têxtil e de confecção do país. Nossa mãe, como eu tenho orgulho disso na minha vida! Depois desse estágio, meu sonho de ser editora de revista mudou de rumo e eu, que nunca tinha feito faculdade pra ser estilista, estava seguindo exatamente este rumo. Dois anos como estilista de “tudo quanto é” roupa: masculina, feminina, infantil, adulto, fitness, pijamas, Plus size… tudo que a Malwee fazia eu fiz. Normalmente tínhamos uma semana a dez dias pra desenhar uma coleção e eu passava uns 5 dias só pesquisando e um, dois dias desenhando. Foi aí que fui convidada pra começar o núcleo de Pesquisa de Tendências dentro da Malwee. QUE HONRA! Trabalhei com muita gente linda e mais ainda, meu trabalho era sugar o WGSN e outros birôs, todos os dias pra decodificar tudo e traduzir pra realidade de mercado nacional, passando informação de moda para a equipe de estilo. Aí se foram 7 anos e eu nem senti.

Nesse meio tempo, fiquei um tempo em Londres fazendo cursos complementares na London College of Fashion e na Central Saint Martins. ISSO foi realmente viver a moda! Chegar em Londres me mostrou porque eu escolhi isso… ver aquele pooovo parecendo ter saído da “féxion wiki” todos os dias, foi a experiência mais maravilhosa da minha vida! Eu me sentia VIVA! E foi aí que comecei a perceber o que me fazia sentir isso e o que não fazia, principalmente dentro da moda. Por exemplo: ter aula no curso de Creative Branding com Mr. Sandjeev, um indiano/inglês que trabalhou com milhares de marcas que amamos me fez perceber que eu, uma jequinha tupiniquim do interior de um país que ninguém lembra que existe, a não ser pra falar de carnaval e caipirinha (sim, ainda é assim pra muitas pessoas), poderia ter uma voz ao receber elogios depois de um trabalho apresentado. Principalmente, ao ser incentivada a apresentar o mesmo trabalho pra possíveis investidores porque sim, a ideia era muito boa e não tinha nada daquele jeito em Londres… Não falo isso pra contar vantagem, nem nada disso… mas pra contar pra vocês que às vezes a gente mesmo não reconhece o valor que tem até outra pessoa nos falar né?! Se for de fora do país então, nem se fala. Ou ainda, pra questionar essa nossa vontade e cisma em querer insistir em fazer sucesso fora do nosso círculo do que antes dele…

Como você já sabe, eu vou e volto na escrita né?!

Outra coisa que me fazia sentir vivinha da silva, era quando fazia as apresentações de tendências na Malwee… tanta gente já ouviu essa matraca aqui falar e tanta gente me contou que era bacana, que saiu inspirada da apresentação… isso não tem preço! Quando eu pesquisava algo novo e tinha uma informação muito massa, uma música, uma banda, um artista, um fotógrafo, uma marca, era como se eu viajasse fisicamente sem sair do lugar, e a cada nova descoberta era uma sensação de vida também. E claro, repassar isso tudo é o que dá sentido ao trabalho.

Mas… um belo dia, indo ao aniversário de uma amiga sem presente (porque eu não tinha conseguido comprar algo a “cara” dela, juro. Aí ia levando uma uma flor! hehe), no meio do caminho tive a ideia de fazer um kaftan pra ela. Isso foi do nada… eu já sabia que ela usaria e iria gostar muito, mas não sei de onde veio a ideia, juro. Aí, parei no meio do caminho, comprei um cartão e coloquei: “vale um kaftan” hehe. E assim comecei a colocar a mão na massa e encontrei um produto que as pessoas da minha cidade passaram a me reconhecer por e começaram a encomendar… um pra uma amiga, outro pra mãe da amiga, aí vieram os quimonos, começaram a vir os vestidos inspirados em kaftans e por aí foi… tudo isso eu fazia depois das 18h, pois ainda trabalhava na indústria.

Nenhum kaftan era igual ao outro e ter recebido mensagens como “nunca me senti tão linda” ou, “muito obrigada por seu carinho e por meu kaftan lindo!” foi o que me motivou e o que acendeu o sinal pra eu pensar: “eu posso fazer as mulheres se sentirem BEM com o que eu faço!”.

A cada mensagem era uma motivação e a primeira delas eu nunca esqueci como me senti… chorei muito! heheh. Mas… às vezes a rotina nos engole e não conseguimos nos lembrar em todos os momentos como foi bom sentir tal coisa ou outra né?! Chegou um momento em que eu não consegui mais conciliar as duas atividades, comecei a ficar muito sobrecarregada, cheguei a sofrer um pequeno acidente de carro, por total falta de atenção (com certeza causada pelo stress). Cheguei a administrar 4 costureiras de uma vez, indo e voltando das casas das clientes para as das costureiras, ia a São Paulo comprar tecidos para fazer peças cada vez mais únicas. Estava tudo acontecendo muito rápido, mas tive de decidir… ou eu pararia com uma atividade ou outra.

O medo do incerto fazia muito parte de mim, afinal, salário garantido todo mês e uma super oportunidade de crescimento dentro da empresa não se encontram em cada esquina né?! Foi assim que decidi parar com as encomendas e focar em crescer na empresa. Mas… como eu sentia falta dos tecidos!!!! Passaram-se mais ou menos dois anos sem encomendas até que mudei de setor dentro da empresa. Tudo ia bem, mas algo faltava… então… literalmente da noite para o dia, respirei fundo, parei de choramingar, enchi o peito de coragem e pedi DEMISSÃO. Nunca pensei que faria isso. Nunca mesmo. Eu vestia muito a camisa da Malwee, trabalhava com muito amor, mesmo que não estivesse feliz em muitos momentos. E foi um alívio!

Cumpri os 30 dias previstos por lei e já neste período iniciei coaching, pois sabia que não seria fácil não ter mais um lugar pra ir depois deste tempo. Foi aí também que iniciei pesquisas pra saber o que faria: se viajaria pra estudar arte (outro sonho!), se me candidataria a empregos no Canadá (que aceitam brasileiros legalmente e aí tentaria a Elle ou a Vogue)! Se lançaria minha própria marca, se abriria um escritório de pesquisa de tendências, ou o que?! A MODA é minha vida, sou até meio piegas com isso, mas é! Eu não sei fazer outra coisa e gosto de MUITAS áreas dentro dela. Marca, branding, roupa, tecido, aviamentos, customização, pesquisa de tendências, inovação, editorial, styling, história da moda e da indumentária, street style, internet, brechós (amo um VINTAGE)… tudo isso mexe muito comigo. Definir um foco foi MUITO difícil.

Mesmo que eu já tivesse a ideia da marca, de novo, tomar uma decisão dessas deixa a gente meio doida!

E se não der certo, e se faltar dinheiro, e se não sobreviver ao primeiro ano, e se, e se, e se… já dizia meu pai: “e se” não existe! Tome uma decisão e siga adiante! Hihi. E foi o que fiz. Dei retorno a Ethel, quem seria minha sócia na marca, falei que podia contar comigo e começamos a trabalhar.

Fizemos tudo “bonitinho”. Criamos nome, logo, DNA de marca, público-alvo, mix de produto, manual de marca, tags, a primeira coleção, a segunda… estamos indo para a terceira e eu continuo o coaching, mas em forma de terapia. Começamos a vestir mulheres da nossa região, fizemos showroom em SP mês passado, conseguimos chegar em mais regiões e estamos projetando crescer mais e mais. Hoje (digo hoje mesmo, pois a próxima coleção está sendo feita neste momento e com uma cabeça já bem diferente da primeira) crio as coleções da MYK pensando muito no que eu quero vestir e em todas as referências até meio doninhas que amo!

Mas também pensando no que vai fazer as mulheres se sentirem únicas e principalmente, para que elas se sintam BEM. Hoje, aquelas mensagens de quando eu fazia kaftans ecoam todos os dias quando estou no atelier da MYK, quando penso num post de instagram e principalmente quando desenho um vestido exclusivo no projeto MYK Atelier. Porque sim! Agora consegui voltar a fazer as encomendas que tanto amava! E hoje sei que este é meu propósito mesmo! Sei que não precisa ser o único, mas é o principal.

Hoje perdi boa parte do meu medo, porque sei que faço com o coração e que seguir minha intuição é muito necessário. Outras vezes já deu certo, porque desta vez não daria?! Hoje, tenho “believe”, “bold”, “wiser”, “stronger” tatuado em meu pulso esquerdo. É meu mantra, é o que a minha cabeça lê e manda pro meu coração, é o que me mantém viva porque ter coragem é vida!!!! hehe.

Graças a Deus e ao apoio intermitente da minha família é que pude fazer isso e ainda hoje não acredito em como algumas coisas aconteceram. Ter empurrões de pessoas próximas e importantes foi fundamental pra eu aprender a confiar nos meus instintos e seguir minha intuição. Porque sim! Você tem de seguir a sua! Sabe quando tudo converge pra um ponto só?! Quando até suas inspirações se encontram?! Quando você fala a mesma coisa que alguém muito próximo?! Isso te mostra que você está no caminho certo! Isso, claro, sem pensar que fazer com amor, com pleno interesse no seu bem-estar e no do outro, vai fazer sua intuição se concretizar, porque é quase impossível fazer algo mal feito quando se faz com amor.

Bom, falei tudo isso pra dizer que a moda é importante pra mim, simplesmente porque ela me mantém viva!

Ela é importante pra mim pelo mesmo motivo que acredito que ela é pra você: todos nós usamos roupas todos os dias e acredito que vamos continuar usando por muito tempo. heheheh.

E é aí que vem a moda…

 

E é aí que eu consigo resumir esse textãoooo, sobre porque essa tal moda é importante…

 

Moda é nossa forma de expressar o que sentimos e o que SOMOS sem abrir a boca (aqui parafraseio Sylvia Gatti, linda, querida e talentosa pesquisadora de tendências que conheço). Ela falou essa frase e amei! É muito isso! Quando os outros nos enxergam, é através de como estamos vestidos que vão, à primeira vista, se identificar conosco ou não.

Mais do que isso, é como vamos passar uma mensagem ao mundo. É como queremos ser percebidos e no final das contas, é como vamos demonstrar ao que viemos! Claro que nem todos os dias pensamos racionalmente nisso, e é por isso que existem pessoas como eu pra pensar nisso por você! E ahhh, como eu amo pensar nisso por você. hehehe. É através do meu “ofício”, dessa “coisa” que eu escolhi mais de 12 anos atrás fazer, que posso estudar a arte que tanto amo, que posso tentar aplica-la em peças que acredito que vão te deixar mais bonita ou que vão te fazer sentir melhor, que posso ouvir música e pensar numa mensagem bacana pra passar, que posso fazer uma prece e estudar o significado que ela tem pra colocar numa estampa, que posso te sugerir um brinco grande e um vestido vermelho que vão ressaltar ainda mais sua personalidade FORTE, ao invés de um brinquinho sem graça e mais um pretinho básico ultrasseguro, mas que vai te fazer sentir igual a todas as outras e não vai fazer aquela pessoa interessante te olhar…

É através disso que eu consigo me conectar com as pessoas mais interessantes e que eu consigo me tornar alguém mais interessante também, porque a cada cliente e a cada reunião é aprendizado atrás de aprendizado e aprender é comigo mesmo! Amo! Porque só assim eu consegui encontrar a minha essência ou parte dela, mas a maior parte. Porque a gente nunca está completo… porque nunca é demais saber um pouquinho mais de algo que conecte você com sua essência… Quando não tiver mais nada pra aprender, melhor acabar a viagem da vida né?!

Acho que me passei aqui no tamanho da escrita… kkk

Mas… se você chegou até aqui é porque teve paciência pra me ler, é porque se identificou com algo, é porque eu devo ter te ajudado de alguma forma, pra te motivar a seguir sua intuição também ao menos… será!?!

Pensando nisso e pensando em a gente perder o medo e assumir nosso propôsito, separei esse vídeo da Dove que amei e mostra muito como penso! 😉

 

Vou ficar muito feliz se você compartilhar sua impressão comigo! Como anda seu pacto com seu propósito? Você presta atenção nisso ou nem liga?! Você tem um trabalho que se conecta diretamente com sua essência?

Me conta vai?!

 

BEIJOS com carinho!

Karyn Mattos

karynmattos
1 Comment
  • Mi Camacho

    Amei, amei, ameiiii esse texto.
    Tão tudo a ver com o que estou sentindo nesse momento e por tudo o que estou passando…
    Essa evolução, essas mudanças, esses medos, essas trocas. Sim, com toda a certeza de alguma forma essa “mensagem” não nos ajuda, nos conecta.
    Preciso te agradecer por esse “textão” tão delicioso de se ler e que me “internalizou” tanto.
    Sucesso e mais sucesso pra ti gata lora do sarandeio, você merece colher esse amor.

    E mais uma vez, obrigada por dar uma razão de ser a esse meu sentimento…
    Beijokas…

    p.s – Acho que em breve teremos muito mais Michele por aí do que Monalisa eheheh 😉

    10/08/2017 at 14:10 Responder

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